23 junho 2019

[Crítica do Koi #6] Toy Story 4






O quarto filme da franquia destrói a fantasia e promove a destruição da essência do protagonista.

 

Aviso: Texto contém spoilers.

Toy Story para mim é uma das mais memoráveis franquias do cinema, posso estar falando com uma certa  paixão exagerada, mas é marcante a relação de Andy com seus brinquedos e como pelo meio da fantasia eles tinham uma reciprocidade com ele.



Tamanho o sucesso que o filme gerou continuações: um segundo filme que introduz uma nova personagem e um terceiro filme que tenta tratar, de uma maneira corriqueira, a passagem de um legado, já que o personagem estava crescido e tinha a necessidade de passar seus brinquedos a alguém de confiança. 

No novo filme vemos uma Bonnie no boneco Woody, que era o brinquedo favorito de Andy seu antigo dono. Ela trai a relação de confiança pré estabelecida com seu antigo dono no terceiro filme, que já era mal feita no ato final. Quem está lendo pode achar um exagero, mas dentro da temática da franquia e foi pré estabelecido no primeiro filme era de uma relação inseparável entre os brinquedos e seus donos. Tanto que Andy confia a Bonnie a tutela dos mesmos. Descomprometendo a promessa com a premissa que é o pilar principal da franquia. A relação inseparável entre crianças e brinquedos.



Pra vocês entenderem o contexto imagina que você tem uma coleção, algo muito precioso que te acompanha a vida inteira e você encontra uma pessoa com a mesma visão e os mesmo valores e curte essa coisa, e você decide passar adianta. Lógico que essa pessoa será a primeira a receber isso caso você precise deixar essa coisa para alguém devido ao compromisso de cuidar dela com carinho.

Já dentro desta sequência se mostra que o Cowboy não é mais visto como interessante pela sua dona, dando preferência a Jessie (tanto que ela dá a estrela de xerife a ela). E o protagonista se foca em reconquistar a Bonnie chegando a ir de intruso dentro de sua mochila para o dia de adaptação da pré escola. Insiste tanto em reconquistar a menina, mesmo com o alerta da boneca de pano Dolly que afirma "A Bonnie não é como o Andy".

Durante o ato da pré escola ele a ajuda indiretamente a construir um brinquedo feito de material reciclado, chamado Garfinho (Forky no original). E durante os primeiros momentos da trama fica tentando se jogar no lixo não aceitando sua nova condição como "brinquedo". Woody tenta o tempo todo evitar tal feito, já que ele é praticamente um símbolo de algo que ele a ajudou a fazer, de uma forma platônica.

Durante a viagem é que as coisas pioram porque o garfo brinquedo se atira pela janela e acaba parando num parque de diversões e lá vai o Woody tentar salvar o treco. Lá ele descobre o abajur de um antigo brinquedo da irmã de Andy a boneca de porcelana Betty que é doada num flashback no início da trama e não questiona o tal ato, cujo Woody discorda. Acaba dentro de uma loja de antiguidades onde encontra a antagonista da trama Gabby Gabby que deseja roubar caixa de voz do personagem, cujo é o mesmo modelo que ela tem e veio com defeito de fabricação.



Woody volta para o clichê repetido exaustivamente nos filmes anteriores "salvar brinquedo a voltar para sua criança", mas de uma forma pouco empolgante. Parece um roteiro de filme direto pra vídeo. Pra começar ele consegue resgatar o Garfinho dando sua Caixa de Voz a vilã da história, que o havia sequestrado, que o faz para ter atenção para a neta da dona do antiquário, mas seu ato ruim acaba dando errado pois esta a ignora. Só que ao invés de ser punida é tratada como vítima, ganhando uma nova chance com a Bonnie. Coisa que se anda fazendo em muitas produções, principalmente as infantis: diminuir as atitudes do vilão, forçar que eles são mais vítimas das circunstâncias e que eles não tem escolha e eles acabam sendo maus, onde o protagonista ou herói tem a redenção e não o contrário, como deveria ser. Um relativismo do bem e do mal.

Além de um final extremamente piegas e forçado em que Woody fica com Betty. Fica notório as divergências entre os dois e nenhum ponto convergente convincente para os dois. Nem a justificativa deles serem personagens desde o primeiro filme convence: foi pré estabelecido no flashback inicial que eles tinham visões diferentes da relação humano x brinquedo. E pra fechar o caixão de como Woody renuncia sua essência, ele entrega sua estrela de xerife a Jessie. E passa a viver como um brinquedo sem dono: abandonando seus ideais pré estabelecidos e reforçados no terceiro filme de ao menos ficar junto com os brinquedos do Andy.

Toy Story 4 é o emprego do mais pesado realismo com toque depressivo, onde o protagonista entrega sua essência e é recompensado com uma vida incompatível com a qual ele acredita e com o que o universo do filme passou desde o início, o 3 já tinha fechado a tampa do caixão da franquia com um final e momentos altamente depressivos (lembram da cena pavorosa da fornalha?). Fiquemos com as boas lembranças dos primeiros filme, é melhor para nossa saúde.






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