06 novembro 2019

O Problema Psicológico Alheio Não Preocupa Ninguém.



Olá amigos, depois de um belo tempo sumido sem postar nada por aqui devido a desestímulo e cansaço do cotidiano atual venho aqui com uma nova postagem. Não cheguei a comentar aqui, eu desde o início do ano venho retomado ajuda psiquiátrica com psicólogo e neurologista. Motivo maior: meu filho sendo taxado como filho de maluco por algumas pessoas.

Durante minha infância sempre fui tratado como esquisito, maluco e afins. Porque eu, ao contrário de muitos, tinha uma educação baseada na disciplina e na obediência nas regras o que gerou por consequência rejeição e retaliação por muitos nos ambientes que me associava, como por exemplo na escola.


O fato é esse cultivo da rejeição me fez uma pessoa menos sociável e até certo ponto tímida. Além de ter um comportamento peculiar de euforia. Isto era motivo para me taxarem como maluco e ganhar apelidos como Tonho da Lua e Jamanta.

Crianças e adolescentes são cruéis a este ponto: não costumam perdoar o diferente ainda mais quando este se esforça pra andar na linha, acredita que seu esforço é recompensado e o é para os pais e professores, mas para seus colegas ele sempre será o doentão esquisito.

O que leva a pessoas como nós escolherem bem amigos. Eu por exemplo só tive um amigo por toda minha infância e adolescência. Alguém que era aproximadamente da minha idade e tinha as mesmas idéias, mesmo ele não sendo tão nerd. Quando ele se mudou aquilo foi um choque pra mim e veio com a notícia de que eu era mal visto pelas pessoas em geral e eram ditos comentários maldosos.

O fato é que se você for um padrão que a sociedade acha aceitável logo tratam você como portador de alguma síndrome ou problema mental, isto quando não põe sua sexualidade em cheque. Isto porque, conforme disse anteriormente, você não se envolve com qualquer pessoa e não busca um relacionamento justamente porque você não se valoriza, é tão mal falado que aquelas palavras pesam em sua reputação e te intimidam a chance de iniciativa.

Só fui voltar a ter um grupo de amigos em 1998, alguns eram do colégio, do tipo de contar no dedo. E eram atualizados bastante com o universo que eu curtia: games. Isso pra mim foi como o renascimento de um cara que se achava viver excluído socialmente e não se encontrar em um grupo.

Apesar disso, na escolha ainda acontecia a retaliação e era o ambiente em que eu passava boa parte do meu tempo. Era como carregar um fardo com uma responsabilidade. Momentos que eu tive que queria chorar, largar tudo. Se não fosse pela insistência e carinho que minha mãe tinha, e também com o tempo acabei endurecendo um pouco meu espírito. Passei a ser menos sociável, já estava de saco cheio de tudo aquilo. Não me interessava mais aquelas pessoas e sim os amigos os quais tinha um grupo.

Mas agora como pai fiquei preocupado com meu filho estar com essa mesma personalidade minha, sempre desejei que ele não repetisse o mesmo padrão comportamental e as crises de euforia que eu ainda tenho. Porém, como filho de peixe peixinho é, ele apresenta o mesmo comportamento.

Isso levou a busca também para que eu pudesse entender tudo isso. Veja bem: já parei psicólogos antes, já fiz até eletro mas disso que eu fiz pouco lembro. Então precisava abrir novamente esse baú para saber a verdade. Meu filho tem hiperatividade devido a essa agitação descontrolada e está tendo uma atividade numa escola de futebol para descarregar essa enerigia.

Quanto a mim fiz um eletro e, subvertendo as expectativas de alguns, o neurologista afirmou que eu tenho uma atividade cerebral normal e me recomendou uns remédios para minhas crises de ansiedade, e cortou o café da minha dieta (poxa, doutor).

Toda essa narrativa mostra o quando a sociedade ainda é preconceituosa com quem tem problemas de socialização oriundos de transtornos ou limitações seja elas quais forem. Crianças e adolescentes são cruéis a maioria das vezes e geralmente não entendem muito de empatia, o ambiente escolar é um ambiente canibalesco onde existem os populares e os excluídos. Isso não vai mudar, nem espero que mude. Mas gostaria que se entendesse que pessoas com problemas de socialização existem, mas nunca são levadas em conta, até são rechaçadas mais pela sociedade e pela mídia como o caso dos Incels.

Ninguém é obrigado a saber da história de um desconhecido, nem porque ele é babaca com os outros algumas vezes, mas deveríamos nos esforçar pra entender de onde vem essa atitude e aceitar que a gente pode ter culpa no processo, pois todos nós fomos crianças e adolescentes e fomos diversas vezes escrotos essas pessoas que se tornaram assim. Deveríamos no mínimo aceitar que em certos momentos agimos com crueldade com os outros e tentar minimizar a crueldade dos nosso filhos, para evitar mais rancor no futuro.

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